História

Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus

Seminário

Fundado por sua Ex.ª Rev.ma, senhor Dom João Antônio dos Santos, situado em um dos pontos mais belos da cidade, no largo Dom João. Em outubro de 1917, celebrou seu quinquagésimo aniversário.

Aos 12 de fevereiro de 1867, chegavam à cidade os primeiros padres Lazaristas, enviados pelo visitador para tomar conta do seminário, que a pedido de sua Ex.ª Rev.ma foram recebidos na antiga casa da Rua do Contrato, hoje Palácio Episcopal. Só aos 19 de julho de 1867 é que tomaram posse da nova casa construída no Largo do Curral, o qual tomou o nome de Largo Dom João.

Os primeiros padres que prestaram seus serviços foram:

O Rev.mo Sr. Pe. Bartholomeu Sipolis, o primeiro superior, sempre afeiçoado a casa, chegando muitas vezes a dizer: “É um encanto de Minas, um jardim delicioso, um paraíso na terra.” Permaneceu nesta casa até 1886. Admirador dos clássicos, hábil manejador da pena, era também um santo. Dedicado de corpo e alma ao seminário, ainda lhe restava, contudo, tempo para viagens pequenas em busca das almas, ao Biribiri, ao Pinheiro e aos outros lugares vizinhos. Dotado de grande tranquilidade, espírito lúcido, pacífico, bondoso, atraia todas as pessoas.

Deve-se a construção do majestoso templo dedicado ao Coração de Jesus, que se ergue majestoso no Largo Dom João, como representa a imagem. Foi ele que aí lançou a primeira pedra aos 16 de março de 1884, com grande festa e numerosa assistência.

Também fundou a Associação das Filhas de Maria e a Confraria da Guarda de Honra do Sagrado Coração de Jesus, tendo sido Diamantina o primeiro centro do Brasil, e por muito tempo depois, o único. Foi esta Confraria elevada à Arquiconfraria a 14 de dezembro de 1874.

Com o Padre Bartholomeu vieram os Rev.mos Srs. Padres Affonso Bec, Antônio Perin e Pedro Fortucci, nomes que lembrados e ainda repetidos entre todos os antigos alunos, como pelos habitantes da cidade. Muitos conservam ainda o retrato simpático do sempre alegre Padre Antônio Perin, contam fatos da sua vida e contam suas virtudes.

Após, vieram os Rev.mos Padres Geraldo Teissandier e Pedro Delery. Este último foi durante muito tempo procurador, prestando neste cargo inúmeros benefícios ao estabelecimento, aí permanecendo até 1901. Em 1886, sendo o Rev.mo Padre Bartholomeu nomeado visitador, tomou o seu lugar de superior, o Rev.mo Padre Miguel Sipolis, seu irmão.

Neste espaço de tempo tomaram parte na direção os Rev.mos Srs. Padres João Torgnes, Benjamim Frechet, José Nicolau Giordano com os irmãos coadjutores André, Basílio, Pedro e Francisco Four. Este último morreu nesta casa aos 24 de maio de 1904, onde trabalhou sempre com grande dedicação.

Morrendo o Rev.mo Padre Miguel, foi nomeado superior em 1894 o Rev.mo Padre Achiles Berardini, que dirigiu o seminário durante quase 10 anos, sendo depois chamado para o Rio, onde faleceu.

Durante este tempo foram seus auxiliares: os Rev.mos Srs. Padres João Anesi, Affonso Maria Mattos, Julio Augusto Bastos, Camillo Durand, Benjamin Vivens, Antônio José dos Santos e o irmão João Augeau. Em setembro de 1903 foram nomeados, também para o seminário, os Rev.mos Srs. Padres Gabriel Brayet e Dyonisio Vitalis.

Sendo pequeno o número de alunos, o seminário com sérias dificuldades,  começaram os seus diretores  a tratar da questão da sua equiparação ao Ginásio Nacional. Aos 13 de setembro de 1904 chegaram os Rev.mos Srs. Padres Paulo Kergosieu e Victor Bonllard.

Aos 29 de dezembro de 1905 foi o seminário, por decreto do poder executivo, equiparado ao Ginásio Nacional. Grande foi o número de alunos que nos exames, segundo as normas e o programa do Ginásio, foram aprovados. Era o programa dividido em seis anos, sendo Delegado fiscal o Dr. Francisco Salles Mourão e secretário o Rev.mo Padre Paulo Kergosfen, lente de ciências.

Em julho de 1907 chegou o Rev.mo Padre Pedro Girard. Em 1908 o Rev.mo Padre Fernando Van Pelt e o Rev.mo Padre Bernarde Kuenen.  Aos 27 de fevereiro de 1909, tendo partido para o Rio em julho de 1908 o Rev.mo Padre Henrique Lacoste, recebeu o seminário o novo superior Rev.mo Padre Desiderio Deschand, que muito trabalhou para o desenvolvimento intelectual dos alunos e fundou a associação de S. José, de acordo com sua Ex. Rev.ma Dom Joaquim Silvério de Souza, 2º bispo da Diocese, que tomara posse em 1905 pela morte do Ex.mo Dom João.

Saindo o Rev.mo Padre João Anesi que desde 1901 ocupara o cargo de procurador, foi substituído pelo Rev.mo Padre Paulo Kergosien. Ausentou-se o Rev.mo Padre Victor Boullard, substituindo o Rev.mo Padre Fernando Taddei. A matricula nestes anos foi na média de 90 alunos.  Dois outros padres vieram completar o número: os Rev.mos Padres Carlos Lidstrom e José Jardim.

Os exercícios militares introduzidos desde 1510 foram supressos pelo Governo. Todos os anos se realizavam, duas vezes no ano, solene festival; novos melhoramentos foram feitos.

Aos 13 de junho de 1914, partindo para o Rio o Rev.mo Padre Desiderio Deschand, recebeu o seminário aos 14 de setembro o seu novo superior, Rev.mo Padre Vicente Peroneille.

Em agosto deste mesmo ano perdeu o estabelecimento o Rev.mo Padre Paulo Kergosien, que partiu para os serviços da Pátria. Também em agosto de 1915, pelo mesmo motivo, o incansável irmão coadjutor, João Angeau.

Em março de 1916, pelo mesmo motivo, o Rev.mo Padre Vicente Peroneille, ficando o seminário entregue à direção do Rev.mo Sr. Padre Antônio José dos Santos, atual Bispo auxiliar, e a procuradoria ao Rev.mo Padre Pedro Onclin, enviado de Mariana para este fim.

O corpo docente em 1917 achava-se assim constituído: Rev.mo Padre Antônio José dos Santos, Reitor e professor de Teologia Moral, Liturgia e História Sagrada; Padre Gabriel Brayet, assistente e professor de Teologia Dogmática, Direito Canônico. História Eclesiástica, Escritura, Química, História Natural e Apologética; Padre Carlos Lidstrom, secretário e professor de História Universal, Português e Desenho; Padre Fernando Van Pelt, professor de Línguas; Padre José Jardim, professor de Filosofia, Línguas, Geografia, e prefeito de disciplina; Padre Pedro Onclin, procurador e professor de Latim e Cantochão; com os colaboradores Padre José da Costa Coelho  professor de Português, Geografia e Introdução Religiosa; Padre José Aristides Caldeira Brant, professor de Aritmética, Latim; Padre Raymundo de Almeida e Souza professor de Matemática e Física.

Em 1918 voltara a Diamantina o Rev.mo Padre Vicente Peronéille, a reocupar o seu cargo superior do seminário. Eram seus colaboradores os Rev.mos Padres Gabriel Brayet, Antônio José dos Santos, Carlos Lidstrom, Pedro Onclin, João Camillo de Almeida, Fernando Vam Pelt, José Jardim. Como colaboradores seculares, estavam no seminário os Rev.mos Padres José Coelho, José Aristides, Raymundo de Almeida. Coadjuvava-os o saudoso Irmão João Augeau que, aos 7 de agosto, partiu para Campo Belo.